Igualdade: É no conhecimento que se encontra a semente do respeito

A contribuição dos negros na construção deste país através de trabalho forçado, ou melhor, trabalho escravo, por anos ainda não foi reconhecido como se deve. Os negros, quando desembarcaram no Brasil, perderam todos os direitos de um ser humano: foram tratados como animais, com a função apenas de trabalho, abrir caminhos a novas terras, e prover riquezas para os colonizadores, que durante muito tempo privaram o povo negro de liberdade.

As políticas de promoção da igualdade racial foram criadas para minimizar diferenças sociais e socio-econômicas. Propõem um reconhecimento da dívida histórica que o Brasil tem com os afrodescendentes por anos de exploração.

Um processo do qual saíram sem direito a nada – nem mesmo à liberdade, já que mesmo após a Lei áurea, passaram-se anos para que realmente os grilhões fossem retirados.

Uma das principais ferramentas contra o racismo e o preconceito é a educação.

Ensinar nossas crianças e jovens desde o Ensino Fundamental, passando pelo Médio, sobre o respeito à igualdade de raças. A LEI 10.639/2003 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional para incluir no currículo oficial da rede de ensino o estudo da História e Cultura Africana e Afro-brasileira. No ano de 2008, a Lei 11.645 alterou novamente a LDB para incluir no currículo a obrigatoriedade do estudo da História e Cultura Afro-brasileira e Indígena.

Leis essas que, infelizmente, Estados e Municípios, com raríssimas exceções, ou descumprem ou cumprem de forma relapsa ou simplesmente não as aplicam.

As escolas devem oportunizar o conhecimento da História Africana e dos afrodescendentes, permitindo, assim, uma adequada formação dos alunos, possibilitando que os mesmos reflitam quanto às situações que excluíram os negros e os indígenas do programa educacional e econômico do Brasil por muito tempo. Desta forma, essas leis resgatam a memória de um povo que teve esse direto negado durante séculos. Somente com este conhecimento, é que vamos formar novas gerações de brasileiros que valorizem, reconheçam e respeitem os negros e nossa ascendência africana.

Antonio Neto é Vice-Presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial-Cepir, e militante dos movimentos Negro e Cultural em Rondônia