Vencedor de Prêmio Nobel perde honrarias após comentários racistas

RETRATO DE JAMES D. WATSON (FOTO: WIKIMEDIA COMMONS)

Vencedor do Prêmio Nobel de Medicina no ano de 1962, o biólogo James D. Watson foi punido pelo Laboratório Cold Spring Harbor, localizado nos Estados Unidos, após seguidas declarações públicas que atacavam os negros e indicavam uma suposta supremacia racial. A instituição, que foi o local onde Watson liderou suas pesquisas durante as últimas décadas, afirmou que todos os títulos e honrarias dedicados ao cientista de 90 anos de idade foram revogados.

A decisão ocorreu após Watson afirmar em um documentário transmitido pelo canal norte-americano PBS que existia uma diferença entre o coeficiente intelectual de brancos e negros. Essa não é a primeira vez que o pesquisador teria feito comentários racistas: em 2007, ele afirmou que era “pessimista” sobre o futuro da África porque “todas as nossas políticas sociais são baseadas no fato de que a inteligência deles é a mesma que a nossa, enquanto todos os testes dizem que não é, na verdade”.

No passado, Watson já era conhecido por suas posições machistas. De acordo com relatos, ele teria menosprezado o trabalho da cientista Rosalind Franklin, que teve papel fundamental no estudo do DNA, simplesmente porque ela não usava batom. Em suas memórias, o pesquisador afirmou que não empregava pessoas gordas em seu laboratório.

Junto do cientista britânico Francis Crick, Watson foi um dos responsáveis pela descoberta da estrutura de dupla hélice da molécula do DNA. Com isso, foi possível avançar nos estudos que revolucionariam a Medicina do século 20.

A suposta diferença racial apontada pelo cientista, entretanto, nunca se comprovou em pesquisas sérias: na realidade, os apoiadores da ideia de uma “supremacia branca” foram grupos que utilizaram a pseudociência para sustentar projetos como o nazismo na Alemanha da década de 1930.

 

Fonte: REVISTA GALILEU