Ossadas de cemitério do período colonial de Pernambuco podem ser de africanos

Crânio com características de povos africanos seria de uma pessoa jovem, com menos de 20 anos | Sérgio Bernardo/JC Imagem

O cemitério do período colonial, no Grande Recife, foi encontrado pela arqueóloga Cláudia Oliveira, da Universidade Federal de Pernambuco

JC Online

Esqueletos resgatados no cemitério do período colonialdescoberto em agosto de 2018 nas terras do antigo Engenho Jaguaribe, em Abreu e Lima, município do Grande Recife, possivelmente são de origem africana. Um dente em formato de ferradura, o crânio alongado para trás, o queixo retraído e o nariz largo são fortes indícios da ancestralidade biogeográfica, de acordo com o arqueólogo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Sérgio Monteiro.

O cemitério do período colonial foi localizado numa área de 16 metros quadrados próxima das ruínas da capela do engenho, dedicada a Santo Antônio. Junto das ossadas os pesquisadores encontraram pequenas contas que, de acordo com representantes de comunidades de matriz africana consultados por Sérgio Monteiro, estariam vinculadas a Omolu, Exu ou outros orixás. A provável ancestralidade africana não significa, necessariamente, que seriam escravos. “Poderiam ser africanos libertos”, pondera o arquiteto.

Três sepultamentos completos e vários ossos isolados exumados do cemitério passam por análises no Laboratório de Arqueologia Biológica e Forense (Labifor-UFPE), coordenado por Sérgio Monteiro. “Os estudos confirmarão a origem, o perfil biológico, se é homem ou mulher, a idade, alterações nos dentes, traumas de lesões antes da morte e se tinham doenças”, declara o arqueólogo. Ele pretende enviar amostras dos materiais para laboratórios internacionais e espera ter os primeiros resultados das pesquisas até o fim de 2019.

Um dos esqueletos completos era de uma criança, possivelmente uma menina, de três a cinco anos de idade. Outro tem características de uma pessoa jovem, abaixo dos 19 anos, com cerca de 1,70 metro de altura e braços fortes. “As vértebras com ranhuras de desenvolvimento e a cabeça da ulna e do rádio (ossos do antebraço) demonstram que era alguém em processo de crescimento”, declara Sérgio Monteiro. O terceiro esqueleto inteiro teve a idade estimada em 45 ou 50 anos

 

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