Paradas do VLT ganham nomes em homenagem à herança africana na Cultura carioca

Passeio na Linha 3, ainda em fase de testes, marca anúncio da iniciativa do movimento negro e do Iphan, com apoio da Prefeitura do Rio

Três paradas da Linha 3 do VLT, em fase de testes, ganharam nesta segunda-feira, 10 de dezembro, nomes que remetem à herança africana na cultura carioca. E outra, da Linha 1, será rebatizada, a partir do sábado, dia 15:  Parada dos Navios/Valongo. Um passeio com integrantes do movimento negro pelo trecho onde ficam as paradas marcou o anúncio oficial das homenagens.

Os nomes guardam referência geográfica para facilitar a localização pelo usuário do sistema: Christiano Otoni/Pequena África (em frente ao Palácio Duque de Caxias, perto da Central do Brasil); Camerino/Rosas Negras (próximo ao Colégio Pedro II); e Santa Rita/Pretos Novos (em frente à Igreja de Santa Rita). As três ficam ao longo da Avenida Marechal Floriano, no Centro.

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Durante as obras da Linha 3, representantes do movimento negro foram ouvidos para sugerir os nomes, a partir de uma ideia do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) que contou com apoio total da Prefeitura do Rio. Participaram do processo lideranças dos grupos Comdedine (Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro), Cedine (Conselho Estadual dos Direitos do Negro), Instituto dos Pretos Novos, Associação de Remanescentes do Quilombo Pedra do Sal (Arqupedra) e Organização Remanescentes de Tia Ciata (ORTC).  A Parada dos Navios, da Linha 1, foi incluída na relação em atendimento a uma antiga reivindicação do movimento negro. Por isso, vai virar Parada dos Navios/Valongo.

 AS EXPLICAÇÕES PARA CADA NOME 

Localizada nas imediações da Central e da praça de mesmo nome, uma das paradas se chamará Cristiano Ottoni/Pequena África em alusão à área do Centro e Região Portuária que compreende os principais espaços culturais de herança africana.

Já a parada próxima ao Colégio Pedro II se chamará Camerino/Rosas Negras devido ao movimento de mulheres que lutou contra a escravidão e pelos direitos dos negros entre o fim do século XIX e o início do século XX.

A parada Santa Rita/Pretos Novos, além de referenciar a igreja de mesmo nome, homenageia o cemitério localizado na área. O cemitério não foi aberto para pesquisa arqueológica durante as obras por solicitação do movimento negro, em respeito aos seus ancestrais.

Na linha 1, a Parada dos Navios também virará um binômio, passando a se chamar Parada dos Navios/Valongo, já que está próxima ao Cais do Valongo, local de chegada de africanos escravizados descoberto durante as obras do Porto Maravilha declarado Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Além dos nomes das paradas, no Largo de Santa Rita haverá a demarcação da área aproximada do antigo Cemitério dos Pretos Novos. Rosas negras desenhadas em pedras portuguesas e um totem com informações históricas do primeiro local onde se deu o sepultamento de Pretos Novos complementam a sinalização.

VLT
Foto: Divulgação

O passeio que lançou os nomes das futuras paradas da Linha 3 do VLT teve embarque em frente à Igreja de Santa Rita. Nele estiveram representantes da Comissão Pequena África, formada por grupos de promoção da igualdade racial e da preservação dos monumentos tombados existentes ao longo do percurso do VLT. E também do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Concessionária do VLT Carioca. Em nome da Prefeitura do Rio, estiveram servidores da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) e da Subsecretaria de Projetos Estratégicos (SubPe) da Casa Civil.